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Data de disparo a definir

Competências relacionais ganham espaço na era da IA e redesenham o perfil da liderança

Escuta ativa, adaptabilidade e inteligência relacional aparecem entre as habilidades mais valorizadas em um mercado cada vez mais automatizado

Com a automação de tarefas técnicas, escuta ativa, pensamento sistêmico e adaptabilidade passam a definir o perfil da liderança. Para Gaya Machado, competências humanas deixaram de ser tema de gestão de pessoas e se tornaram estratégia de negócios.

A expansão da inteligência artificial e a transformação acelerada do trabalho estão mudando a forma como empresas avaliam talento e liderança. À medida que atividades técnicas e operacionais passam a ser executadas por sistemas cada vez mais sofisticados, cresce a importância de competências humanas ligadas à colaboração, comunicação, adaptabilidade e gestão de pessoas.

O Relatório sobre o Futuro dos Empregos 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que 39% das habilidades exigidas no mercado devem mudar até 2030. A pesquisa também mostra que a lacuna de competências já é considerada a principal barreira à transformação dos negócios por 63% dos empregadores.

Embora habilidades ligadas à tecnologia e à inteligência artificial estejam entre as mais demandadas, o estudo destaca o crescimento da importância de competências humanas como liderança, resiliência, flexibilidade, influência social e pensamento sistêmico.

Para a cientista comportamental Gaya Machado, a mudança reflete uma transformação estrutural no ambiente corporativo. “Quanto mais a tecnologia avança na execução de tarefas, mais valor ganham as capacidades humanas relacionadas à interpretação de contexto, construção de confiança e coordenação entre pessoas. São habilidades que continuam sendo decisivas em ambientes complexos e de alta incerteza”, afirma.

Segundo ela, competências como escuta ativa, inteligência relacional e adaptabilidade passaram décadas sendo tratadas como habilidades complementares. Hoje, aparecem cada vez mais como elementos centrais da performance organizacional.

Escuta ativa e qualidade das decisões

Entre as competências que ganham relevância está a escuta ativa. Em estruturas mais colaborativas e compostas por equipes multidisciplinares, a capacidade de compreender perspectivas diferentes tornou-se um fator importante para a qualidade das decisões.

“A tomada de decisão raramente falha por falta de informação. Com frequência ela falha por interpretações incompletas, ruídos de comunicação ou baixa circulação de perspectivas dentro das equipes”, explica Gaya. Na prática, ambientes onde as pessoas se sentem ouvidas tendem a apresentar níveis mais elevados de confiança, cooperação e engajamento.

Pensamento sistêmico em ambientes complexos

Outra competência cada vez mais valorizada é a capacidade de compreender problemas de forma integrada. Segundo Gaya, organizações operam hoje em níveis de interdependência muito maiores do que no passado. Decisões tomadas em uma área frequentemente geram impactos em diversas outras.

“Problemas complexos raramente possuem causas únicas. Lideranças eficazes conseguem enxergar conexões, antecipar efeitos indiretos e considerar consequências além do curto prazo”, afirma. Essa capacidade de leitura sistêmica torna-se especialmente relevante em um contexto marcado por transformações tecnológicas, mudanças demográficas e novas expectativas dos profissionais em relação ao trabalho.

Adaptabilidade deixa de ser diferencial e se torna requisito

A adaptabilidade também aparece entre as competências mais citadas nos estudos sobre o futuro do trabalho. Para Gaya, a velocidade das mudanças tornou inviável a lógica de planejamento baseada em cenários relativamente estáveis.

“Durante muito tempo, empresas foram treinadas para operar em ambientes previsíveis. Hoje, a capacidade de ajustar estratégias, revisar premissas e aprender continuamente se tornou uma condição básica de sobrevivência organizacional.” A cientista comportamental destaca que adaptação não significa reação impulsiva, mas a capacidade de revisar decisões à medida que novas informações surgem.

Da gestão de pessoas à estratégia de negócios

Durante décadas, competências relacionais foram frequentemente classificadas como soft skills, um termo que acabou contribuindo para a percepção de que seriam secundárias em relação às competências técnicas. O cenário atual aponta para a direção oposta.

À medida que inteligência artificial, automação e análise de dados se tornam amplamente acessíveis, a diferenciação competitiva passa a depender cada vez mais da capacidade de mobilizar pessoas, construir confiança, promover colaboração e criar ambientes capazes de sustentar inovação.

“Existe uma mudança importante em curso. As competências humanas deixaram de ser apenas uma questão de gestão de pessoas. Elas estão se tornando uma questão de estratégia de negócios”, conclui Gaya Machado.

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