Uma marca conhecida chega à disputa por talentos com uma vantagem que não aparece na descrição de uma vaga: o candidato já sabe quem ela é. O reconhecimento construído junto ao consumidor pode gerar familiaridade, transmitir uma percepção de solidez e despertar interesse quando surge uma oportunidade profissional.
Mas ser lembrado não significa, necessariamente, ser escolhido.
Um estudo da University of Pretoria investigou a relação entre marcas de consumo e atratividade como empregadora e identificou que atributos associados às marcas, como qualidade, inovação, longevidade e percepção pública, podem ser projetados sobre a imagem da empresa como empregadora. A influência, no entanto, varia conforme profissão, setor e maturidade profissional.
A pesquisa também aponta um limite importante: a força da marca de consumo pode contribuir para despertar o interesse de potenciais profissionais, mas tem pouca influência sobre a permanência quando a experiência de trabalho não corresponde às expectativas.
É nesse ponto que aparece a diferença entre ser lembrada e ser escolhida. Para o profissional que avalia uma oportunidade, a reputação externa pode ser apenas o primeiro elemento da decisão. Remuneração, estabilidade, benefícios, liderança, cultura, desenvolvimento e a experiência cotidiana dentro da organização passam a ter peso maior.
A marca que o profissional encontra
A percepção construída fora da empresa pode abrir a porta, mas não sustenta sozinha a relação com os profissionais. A promessa associada à marca precisa encontrar correspondência na realidade da organização.
Essa percepção é formada em diferentes pontos de contato: processos seletivos, contato com recrutadores, relatos de funcionários, redes sociais, liderança, políticas de remuneração e benefícios e, principalmente, pela experiência de quem trabalha ou já trabalhou na empresa.
Por isso, employer branding não se resume à comunicação. A marca empregadora também é resultado daquilo que a organização efetivamente entrega aos profissionais.
No Brasil, a remuneração continua sendo um fator relevante, mas não atua isoladamente. Segundo a Robert Half, 58% dos profissionais consideram a estabilidade tão importante quanto o salário. O levantamento também aponta que 25% dos brasileiros mudariam de emprego diante de um aumento salarial de 35%. Os dados mostram que a decisão profissional combina diferentes dimensões e que uma marca conhecida não elimina a necessidade de uma proposta de valor competitiva.
Do consumidor ao profissional
A influência da marca de consumo também não é igual para todos os profissionais. A pesquisa da University of Pretoria identificou diferenças de acordo com profissão, indústria e maturidade.
Para alguém em início de carreira, trabalhar em uma empresa reconhecida pode representar uma oportunidade de aprendizado e também um diferencial no currículo. Em posições mais especializadas ou de maior senioridade, outros aspectos podem ganhar peso, como o desafio profissional, autonomia, perspectivas de desenvolvimento e alinhamento com os objetivos da organização.
A familiaridade, portanto, pode fazer com que uma empresa seja considerada, mas não garante que ela seja escolhida.
Quando a lembrança nasce dentro do próprio mercado
A lógica do Top of Mind também ajuda a observar empresas que não têm necessariamente grande reconhecimento entre consumidores, mas construíram uma marca forte dentro de um segmento profissional.
É o caso da Mendes Talent, que está entre as empresas indicadas na 29ª edição do Top of Mind de RH, na categoria Temporários e Efetivos. A premiação reconhece as marcas lembradas pelos profissionais do setor de Recursos Humanos.
Para Renato Mendes, fundador da Mendes Talent, a lembrança de uma marca no mercado de Recursos Humanos está diretamente relacionada à experiência construída ao longo do relacionamento com clientes e profissionais.
"Uma marca não se constrói apenas pela exposição. Ela é resultado da experiência que entrega, da relação que estabelece com seus clientes e profissionais e da consistência do trabalho ao longo do tempo. No nosso mercado, ser lembrado significa ter construído uma relação de confiança", afirma.
Nesse contexto, a lembrança não depende de uma relação cotidiana com o consumidor final. Ela é construída dentro do próprio mercado, a partir da experiência de clientes, profissionais e parceiros, da consistência das entregas e da capacidade de responder às necessidades de uma área específica.
A indicação da Mendes Talent coloca em evidência uma segunda dimensão do Top of Mind: a relevância de uma marca pode ser construída diretamente entre os profissionais que conhecem, utilizam e acompanham seus serviços, mesmo quando ela não faz parte do cotidiano do grande público.
Mais do que estar na memória
A discussão sobre Top of Mind, portanto, vai além de descobrir qual nome aparece primeiro na cabeça de consumidores ou profissionais.
Para as empresas, o desafio é transformar lembrança em significado. Uma marca forte pode facilitar o primeiro contato com candidatos, clientes e parceiros, mas sua reputação é construída a partir das experiências acumuladas em cada interação.
No mercado de trabalho, isso significa que o nome pode chamar atenção, mas é a experiência que sustenta a escolha.
Para o RH, a questão passa a ser menos sobre simplesmente tornar a empresa conhecida e mais sobre construir uma reputação coerente com aquilo que ela promete. Afinal, quando o nome de uma organização vem à cabeça de um profissional, o que importa não é apenas que ele se lembre dela, mas o que essa lembrança significa.
Sobre a Mendes Talent
Com mais de duas décadas de atuação no mercado brasileiro de recrutamento e seleção, a empresa se posiciona com foco em agilidade e qualidade na formação de equipes. A Mendes Talent desenvolve estratégias personalizadas para reduzir o tempo e os custos associados a posições em aberto, conectando profissionais qualificados a oportunidades alinhadas às demandas das organizações. Seu modelo de atuação combina equipes dedicadas e especialização por linhas de negócio, com ênfase em eficiência, assertividade e resultados.