THE FLUX HOUSE

Data de disparo a definir

A geração que não pede demissão e o impacto silencioso do desengajamento nas empresas

Trabalhadores permanecem nos empregos por mais tempo, mas o engajamento global caiu para 20% e já gera perdas estimadas em US$ 10 trilhões para a economia mundial

Apenas 20% dos trabalhadores no mundo estão engajados, o menor índice desde 2020, e a falta de engajamento já representa perda estimada de US$ 10 trilhões para a economia global. O fenômeno atinge quem permanece na empresa, mas perde gradualmente energia, foco e conexão com o trabalho.

Apenas 20% dos trabalhadores no mundo estão engajados no trabalho, o menor índice registrado desde 2020. Ao mesmo tempo, a falta de engajamento já representa uma perda estimada de US$ 10 trilhões para a economia global, valor equivalente a cerca de 9% do PIB mundial. Os dados fazem parte do relatório State of the Global Workplace 2026, da Gallup, e ajudam a explicar um fenômeno que vem chamando a atenção de especialistas: profissionais que permanecem nas empresas, mas demonstram cada vez menos conexão com suas atividades e com os objetivos das organizações.

O cenário aparece também em um estudo global da plataforma Intellect, realizado com 50 mil trabalhadores de 182 países. O levantamento identificou que, mesmo com a melhora dos indicadores de bem-estar, a produtividade caiu e os índices de presenteísmo aumentaram.

Segundo os pesquisadores, muitos profissionais continuam comparecendo ao trabalho, inclusive em situações que afetam sua capacidade de desempenho. Já os estudos sobre engajamento apontam um número crescente de trabalhadores que permanecem nas empresas, mas demonstram menor foco, energia e envolvimento com suas atividades.

Para o médico e especialista em saúde ocupacional Dr. Marco Aurélio Bussacarini, fundador da Aventus Ocupacional e autor do livro Fatores Psicossociais no Trabalho, o tema merece atenção porque os efeitos desse processo nem sempre aparecem de forma imediata. “Muitas empresas ainda olham apenas para quem pede demissão ou para quem se afasta. Mas existe um grupo que continua presente todos os dias e, aos poucos, perde a conexão com o trabalho. Esse movimento é silencioso e, justamente por isso, mais difícil de perceber”, afirma.

Especialistas têm chamado atenção para um processo de erosão do engajamento no trabalho, no qual o profissional permanece em sua função, cumpre sua jornada e mantém suas atividades, mas perde gradualmente motivação, energia, conexão com o trabalho e disposição para contribuir. Como esse processo costuma ocorrer de forma lenta e sem sinais evidentes, muitas vezes passa despercebido dentro das organizações.

A erosão silenciosa do engajamento

A discussão ganha relevância em um momento em que empresas de diferentes setores investem em tecnologia, automação e inteligência artificial para aumentar a produtividade. Apesar disso, especialistas alertam que fatores humanos continuam exercendo papel decisivo nos resultados.

“Existe uma tendência de procurar explicações apenas na tecnologia ou nos processos. Mas produtividade também tem relação com propósito, reconhecimento, autonomia e qualidade das relações dentro das organizações”, explica Bussacarini.

Segundo ele, o desengajamento nem sempre está ligado à falta de qualificação ou competência profissional. Muitas vezes, está associado à forma como o trabalho é organizado, à sobrecarga, à falta de reconhecimento, à comunicação deficiente ou à ausência de perspectivas de desenvolvimento.

Na prática, os sinais costumam surgir de forma gradual. O profissional participa menos das discussões, evita assumir novos desafios, demonstra menor interesse por projetos e passa a fazer apenas o necessário. Nem sempre há conflitos ou problemas evidentes. Em muitos casos, o desengajamento acontece de forma lenta e quase imperceptível.

O alerta ganha força em um cenário no qual o Brasil busca elevar seus níveis de produtividade. Apesar dos avanços tecnológicos e dos investimentos em digitalização, especialistas apontam que o crescimento da produtividade do trabalho continua sendo um desafio histórico para o país, o que amplia a importância de fatores ligados ao engajamento e ao bem-estar dos trabalhadores.

De acordo com Bussacarini, esse contexto ajuda a explicar por que algumas empresas conseguem manter seus quadros de funcionários estáveis, mas enfrentam dificuldades para melhorar resultados. “Nem sempre o maior problema está em quem sai da empresa. Muitas vezes ele está em quem permanece sem conseguir entregar todo o seu potencial. Essa perda gradual de engajamento, energia e iniciativa tem impacto direto sobre a produtividade”, diz.

O especialista destaca que a discussão sobre fatores psicossociais ganhou força nos últimos anos justamente porque as empresas começaram a perceber que desempenho e bem-estar não são temas separados. “Estamos começando a entender que produtividade não depende apenas de tecnologia, processos ou investimentos. Ela depende de pessoas que encontrem sentido no que fazem e tenham condições adequadas para realizar seu trabalho. Quando isso não acontece, os reflexos aparecem nos resultados, mesmo que não sejam percebidos imediatamente”, afirma.

Para Bussacarini, organizações que conseguirem identificar e enfrentar os sinais de desengajamento terão uma vantagem competitiva importante nos próximos anos. “Cuidar das pessoas não é apenas uma questão de bem-estar. É uma estratégia para construir equipes mais comprometidas, ambientes mais saudáveis e resultados mais sustentáveis”, conclui.

Sobre Dr. Marco Aurélio Bussacarini

Graduado em Medicina pela UNICAMP e especialista em Medicina Ocupacional pela USP, Marco Aurélio Bussacarini é médico, empreendedor e especialista em administração hospitalar e gestão de empresas, com histórico no setor público e no privado. Sua carreira inclui atuação como gestor de saúde no Ministério da Saúde e liderança em iniciativas no setor privado, incluindo a fundação e a direção de cooperativas médicas e de crédito. É autor do livro Fatores de Risco Psicossociais no Trabalho e fundador e CEO da Aventus Ocupacional.

Sobre a Aventus Ocupacional

Pioneira no segmento B2B de Saúde e Segurança do Trabalho (SST), a Aventus Ocupacional tem 25 anos de mercado. A companhia se destaca pela integração completa entre medicina ocupacional e segurança do trabalho, atendendo clientes em setores como transporte, educação, alimentação, saúde e indústria. Na vanguarda da digitalização do atendimento SST, utiliza tecnologia de ponta, incluindo plataforma EAD para treinamentos online.

EngajamentoProdutividadeRiscos psicossociaisSaúde mental no trabalhoPresenteísmo

Leia também

Solicitar entrevista com Dr. Marco Aurélio Bussacarini

Respondemos em até 24 horas em dias úteis.