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18/08/2026

Setembro Amarelo: o que a saúde mental de artistas ensina às empresas sobre os limites do trabalho

Relatos de artistas como Lady Gaga e Dwayne “The Rock” Johnson mostram como a pressão profissional pode afetar a saúde mental e reforçam a importância de reconhecer sinais de alerta no ambiente de trabalho

Relatos públicos de artistas sobre depressão e ansiedade mostram que sucesso e alta produtividade não significam ausência de sofrimento psicológico — e ajudam a explicar por que, dentro das empresas, os sinais de esgotamento passam despercebidos enquanto as entregas continuam.

Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e prevenção do suicídio, a discussão sobre saúde mental também ganha espaço no ambiente corporativo. Ansiedade, dificuldade de concentração, irritabilidade, cansaço constante, perda de motivação e dificuldade para se desconectar do trabalho podem ser tratados como consequências naturais de uma rotina intensa. Porém, quando esses sinais se tornam frequentes, podem afetar não apenas o bem-estar do trabalhador, mas também sua capacidade de tomar decisões, manter a produtividade e se relacionar com colegas e lideranças.

Relatos de artistas conhecidos ajudam a mostrar que o sucesso e a alta produtividade não significam ausência de sofrimento psicológico. Lady Gaga já falou publicamente sobre depressão e ansiedade, relacionando parte de suas dificuldades à pressão da fama e da carreira. Em entrevista à Vogue, a cantora afirmou que o trauma interferia em diferentes aspectos de sua vida.

Dwayne Johnson, por sua vez, revelou ter enfrentado três episódios de depressão ao longo da vida. O primeiro aconteceu depois que uma lesão encerrou suas expectativas de seguir carreira no futebol universitário. Anos depois, ele passou novamente por períodos de depressão e contou que, inicialmente, sequer sabia identificar o que estava acontecendo. Mais tarde, passou a reconhecer os sinais e buscar apoio.

Segundo o Dr. Marco Aurélio Bussacarini, especialista em Medicina Ocupacional e CEO da Aventus Ocupacional, os relatos ajudam a reforçar uma questão que também aparece dentro das empresas. “A pessoa nem sempre deixa de trabalhar quando está enfrentando um problema de saúde mental. Muitas vezes, ela continua presente, mas com dificuldade crescente para se concentrar, tomar decisões, cumprir tarefas ou manter relações saudáveis. Por isso, reconhecer os sinais precocemente é tão importante”, afirma.

Quando a produtividade esconde o sofrimento

Um dos desafios para as empresas é identificar situações em que o trabalhador continua entregando resultados, mas às custas de um esforço cada vez maior. A manutenção da produtividade pode fazer com que sinais como irritabilidade, isolamento, dificuldade de concentração, perda de iniciativa e sensação constante de sobrecarga passem despercebidos.

A experiência de Lady Gaga ajuda a ilustrar esse cenário. Ao falar sobre seu próprio quadro de saúde mental, a artista descreveu momentos em que a ansiedade tornava as tarefas cotidianas e profissionais mais difíceis. Em 2020, também relatou o impacto da exposição de sua carreira sobre seu bem-estar.

“No ambiente corporativo, existe uma diferença entre um período pontual de pressão e uma rotina em que o trabalhador permanece constantemente em estado de alerta. Quando não existe tempo suficiente para recuperação, o desgaste pode começar a aparecer no comportamento e no desempenho”, explica Bussacarini.

Pressão profissional não é exclusividade de artistas

Embora artistas estejam frequentemente submetidos a exposição pública, viagens, cobranças e jornadas irregulares, os fatores que podem contribuir para o desgaste mental também estão presentes em diferentes ambientes profissionais. Sobrecarga persistente, metas incompatíveis com os recursos disponíveis, baixa autonomia, falta de clareza sobre responsabilidades e ausência de apoio das lideranças podem contribuir para ambientes psicossocialmente desfavoráveis.

Para Bussacarini, a principal lição para as empresas está justamente em não esperar que o problema chegue a um estágio extremo. “O objetivo não é esperar que o trabalhador entre em colapso para então agir. Mudanças de comportamento, afastamentos frequentes, conflitos, erros e dificuldade de concentração podem ser sinais que merecem atenção, principalmente quando começam a se repetir dentro de uma equipe”, afirma.

NR-1 amplia atenção aos riscos psicossociais

A discussão sobre saúde mental também ganha ainda mais relevância com a atualização da NR-1, que reforça a necessidade de identificação, avaliação e gerenciamento dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho. Na prática, isso significa que as organizações precisam olhar não apenas para o trabalhador individualmente, mas também para as condições em que o trabalho é realizado. A análise de indicadores como absenteísmo, turnover, afastamentos, conflitos, erros, retrabalho e queixas recorrentes pode ajudar a identificar padrões que merecem investigação.

“Se diferentes profissionais de uma mesma equipe apresentam sinais semelhantes, é preciso investigar o ambiente e a organização do trabalho, e não simplesmente atribuir o problema às características individuais de cada trabalhador”, explica Bussacarini.

Setembro Amarelo como ponto de partida para prevenção

Os relatos de artistas como Lady Gaga e Dwayne Johnson ajudam a ampliar a percepção de que problemas de saúde mental não são incompatíveis com sucesso, produtividade ou reconhecimento profissional. Em ambos os casos, falar sobre as próprias experiências também contribuiu para colocar o tema em evidência e estimular outras pessoas a reconhecerem seus próprios sinais.

No ambiente corporativo, o Setembro Amarelo pode cumprir um papel semelhante: abrir espaço para conversas que não terminem no mês de setembro. Palestras e campanhas de conscientização são importantes, mas precisam ser acompanhadas por ações concretas relacionadas à organização do trabalho, à escuta dos funcionários e à gestão dos riscos psicossociais.

“Saúde mental precisa deixar de ser discutida apenas quando alguém já está em sofrimento intenso. A prevenção começa quando a empresa consegue reconhecer os fatores que podem levar ao adoecimento, escutar seus trabalhadores e agir antes que o problema se agrave”, conclui Bussacarini.

Sobre Dr. Marco Aurélio Bussacarini

Graduado em Medicina pela UNICAMP e especialista em Medicina Ocupacional pela USP, Marco Aurélio Bussacarini é médico, empreendedor e especialista em administração hospitalar e gestão de empresas, com histórico no setor público e no privado. Sua carreira inclui atuação como gestor de saúde no Ministério da Saúde e liderança em iniciativas no setor privado, incluindo a fundação e a direção de cooperativas médicas e de crédito. É autor do livro Fatores de Risco Psicossociais no Trabalho e fundador e CEO da Aventus Ocupacional.

Sobre a Aventus Ocupacional

Pioneira no segmento B2B de Saúde e Segurança do Trabalho (SST), a Aventus Ocupacional tem 25 anos de mercado. A companhia se destaca pela integração completa entre medicina ocupacional e segurança do trabalho, atendendo clientes em setores como transporte, educação, alimentação, saúde e indústria. Na vanguarda da digitalização do atendimento SST, utiliza tecnologia de ponta, incluindo plataforma EAD para treinamentos online.

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