O aumento recorde dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil e o avanço das exigências regulatórias sobre saúde mental no trabalho têm levado empresas a estruturar um novo tipo de proteção corporativa: a criação de trilhas documentais capazes de comprovar ações preventivas relacionadas aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, segundo dados do Ministério da Previdência. O número representa crescimento de 15,66% em relação a 2024. Paralelamente, a atualização da NR-1 consolidou a obrigatoriedade de incluir fatores psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), ampliando a pressão sobre empresas de todos os portes.
Na prática, especialistas apontam que o tema deixou de ser apenas uma pauta de bem-estar corporativo e passou a integrar as agendas de jurídico, compliance e governança. “A grande preocupação das empresas hoje não é apenas identificar riscos psicossociais, mas demonstrar documentalmente que existe gestão ativa sobre esses fatores. Sem rastreabilidade, plano de ação e histórico das medidas adotadas, a empresa fica muito mais vulnerável em fiscalizações e disputas trabalhistas”, afirma o médico do trabalho Dr. Marco Bussacarini, sócio da Aventus Care.
O cenário tem provocado uma corrida por mecanismos de padronização e registro contínuo das ações relacionadas à saúde mental no ambiente corporativo. Segundo especialistas da área, muitas organizações ainda operam com controles descentralizados, formulários genéricos e planilhas que não garantem consistência metodológica nem capacidade de auditoria.
Levantamento conduzido pela Aventus Ocupacional em 245 empresas da Região Metropolitana de Campinas identificou que fatores ligados à organização do trabalho aparecem entre os principais pontos de desgaste emocional. O domínio “clareza do cargo” apresentou os piores indicadores em todos os setores avaliados, com níveis de insatisfação entre 65% e 79%.
O estudo envolveu empresas dos setores de serviços (50%), comércio (19%), transportes (17%) e indústria (14%) e apontou ainda problemas relacionados a excesso de demanda, falhas de comunicação interna e ausência de definição clara de responsabilidades.
Saúde mental entra na agenda jurídica das empresas
Para o professor doutor Sérgio Roberto de Lucca, pesquisador da Unicamp responsável pela base metodológica utilizada pela Aventus Care, a tendência é que a gestão psicossocial passe por um processo semelhante ao que ocorreu com outras áreas de compliance corporativo. “As empresas precisarão demonstrar evidências concretas de monitoramento, intervenção e acompanhamento contínuo. A ausência de documentação pode ser interpretada como falha de gestão organizacional”, afirma.
É nesse contexto que a AventusCare lança uma plataforma digital voltada à gestão de riscos psicossociais. A empresa atua no desenvolvimento de soluções para avaliação, monitoramento e governança de fatores psicossociais relacionados ao ambiente de trabalho, combinando metodologia científica, automação de processos e ferramentas de compliance voltadas às exigências da NR-1 e da NR-17.
A solução foi desenvolvida para atender empresas, clínicas e consultorias de saúde ocupacional que precisam estruturar avaliações psicossociais de forma padronizada e auditável. A plataforma reúne aplicação digital de questionários, relatórios analíticos, planos de ação estruturados, monitoramento das intervenções e histórico documentado das medidas adotadas.
O sistema permite acompanhar desde o diagnóstico inicial até a execução das ações corretivas, criando uma trilha contínua de evidências organizacionais para auditorias, fiscalizações e gestão interna. “O mercado vinha tratando saúde mental de forma muito subjetiva. O que muda agora é a necessidade de transformar isso em processo, indicador, documentação e governança”, afirma Marcelo Bussacarini, CTO e sócio da Aventus Care.
Além da adequação regulatória, empresas também passaram a associar os riscos psicossociais ao impacto financeiro provocado por absenteísmo, turnover e presenteísmo. Em estudo conduzido pela empresa em fase de validação com uma indústria de 500 colaboradores, houve redução do absenteísmo de 5,2% para 3,5% após 12 meses de implementação de ações estruturadas. No mesmo período, o turnover caiu de 18% para 13%.
Com a intensificação das fiscalizações e o avanço das discussões judiciais envolvendo burnout, assédio moral e sobrecarga de trabalho, especialistas avaliam que a gestão estruturada de riscos psicossociais tende a deixar de ser diferencial competitivo para se tornar parte permanente da governança corporativa.
Sobre Dr. Marco Aurélio Bussacarini
Graduado em Medicina pela UNICAMP e especialista em Medicina Ocupacional pela USP, Marco Aurélio Bussacarini é médico, empreendedor e especialista em administração hospitalar e gestão de empresas, com histórico no setor público e no privado. Sua carreira inclui atuação como gestor de saúde no Ministério da Saúde e liderança em iniciativas no setor privado, incluindo a fundação e a direção de cooperativas médicas e de crédito. É autor do livro Fatores de Risco Psicossociais no Trabalho e fundador e CEO da Aventus Ocupacional.
Sobre a Aventus Ocupacional
Pioneira no segmento B2B de Saúde e Segurança do Trabalho (SST), a Aventus Ocupacional tem 25 anos de mercado. A companhia se destaca pela integração completa entre medicina ocupacional e segurança do trabalho, atendendo clientes em setores como transporte, educação, alimentação, saúde e indústria. Na vanguarda da digitalização do atendimento SST, utiliza tecnologia de ponta, incluindo plataforma EAD para treinamentos online.